Gestação canina – Parte I

Tens dúvidas sobre o processo de gestação de uma cadela? Neste post vamos tentar responder às dúvidas mais comuns e oferecer conselhos para entender melhor esta etapa, assim como qual é a melhor forma de afrontá-la com a futura mãe.

O ciclo reprodutivo canino

Dentro do mundo dos cães, as fêmeas atingem a puberdade com a chegada do seu primeiro cio, a idade varia em função de diversos fatores como a raça, tamanho e características individuais de cada animal. Geralmente as cadelas de tamanho pequeno são as mais precoces e o seu primeiro cio costuma iniciar entre o sétimo e o nono mês de vida, enquanto que nas fêmeas de tamanho grande isto acontece por volta dos doze meses, chegando ao mês quatorze ou até mesmo os dezasseis meses de idade. Portanto não devemos preocupar-se se a nossa cadela faz um ano de idade sem ter tido o seu primeiro cio, para além do tamanho da nossa cadela.

Uma vez iniciado o ciclo ovárico, este repetir-se-á a cada seis meses aproximadamente, mas em função de cada animal, os intervalos poderiam ser mais curtos ou mais longos. Além do mais, neste aspeto concreto a raça é um fator determinante já que as fêmeas de algumas raças como o Basenji ou o Cão-lobo-checoslovaco apresenta um cio único anual, isto é, que têm o cio a cada doze meses e não a cada seis como a maioria de cadelas rafeiras ou de outras raças.

Entre os dois e os seis anos de idade, o ciclo reprodutivo manter-se-á mais ou menos constante e, na maioria das vezes, essa constância será assim ao longo do tempo até que a cadela tenha uma idade relativamente avançada. Contudo, a partir dos sete ou oito anos de idade podem aparecer alterações como um incremento do intervalo entre os cios, menos fertilidade, redução do número de cachorros por ninhada, aumento de dificuldades na gestação, menos fertilidade, redução do número de cachorros por ninhada, aumento de dificuldades na gestação e o parto, ou defeitos congénitos nos cachorros; isto é devido ao que a cadela já passou da idade reprodutiva ótima e a partir desse momento não é aconselhável que tenham mais gestações.

O ciclo reprodutivo da cadela é dividido em quatro períodos:

  1. Anoestro: É o período de inatividade sexual que se produz entre um cio e o seguinte. É a fase de maior duração e se caracteriza precisamente por não apresentar nenhum sinal externo de atividade sexual; o comportamento da cadela é totalmente normal e os cães não demonstram nenhum interesse reprodutivo por ela.
  2. Protoestro: Esta fase corresponde com o surgimento dos primeiros sintomas típicos do cio, que são a inflamação da vulva e um ligeiro sangramento que pode passar inadvertido devido a que a cadela se lambe constantemente. Mesmo que ela não se demonstre receptiva nesta etapa, atrai os machos pela liberação de feromonas que produz. O protoestro costuma durar uma média de 10 dias, nos quais a secreção sanguinolenta aumenta e, posteriormente, diminui progressivamente em quantidade e concentração. É comum que urine mais frequentemente que o normal para disseminar feromonas.
  3. Estro: É a fase que corresponde ao cio em si da cadela, isto é, quando se produz a ovulação. A fêmea se demonstra receptiva à cópula com o macho. Caracteriza-se por uma máxima inflamação da vulva e o desaparecimento, quase por completo, do sangrado. Esta fase, cuja duração oscila entre os 5 e 10 dias, é o único momento de fertilidade da cadela.
  4. Metaestro: É a última parte do ciclo sexual da cadela, na que observamos como paulatinamente desaparecem todos os sintomas do cio, tanto os sinais externos como as alterações do comportamento, e deixará de atrair os machos. Se houve acasalamento, se produzirá a nidação do óvulo ou, se não tiver sido fecundada, teremos de observar que a nossa cadela não desenvolva uma gravidez psicológica.

Na fase na que devemos ter o maior cuidado para que a nossa cadela não engravide por acidente ou descuido é durante o estro, quando o sangramento diminui, já que é esse o momento de maior fertilidade e quando ela se apresentará receptiva aos machos.

Sintomas durante a gestação canina

Normalmente o primeiro que apercebemos das nossas cadelas gestantes são mudanças no comportamento, que podem ser muito variadas segundo cada animal. É frequente perceber mudanças no seu apetite, que se demonstrem mais apáticas e durmam mais horas, algumas fêmeas ficam mais agressivas com outros cães, ou mais apegadas e dependentes dos seus donos, pedindo mais carícias que o habitual.

As mudanças físicas costumam incluir maior desenvolvimento das glândulas mamárias, aumento progressivo e considerável de peso, com distensão abdominal, maior frequência ao urinar e certa secreção vaginal.

Se acreditamos que a nossa cadela pode ter cruzado com um macho quando estava no cio, ou percebemos sintomas ou comportamentos próprios de uma possível gestação, devemos acudir ao nosso veterinário de confiança já que será necessário um diagnóstico mediante ecografia e/ou radiografia.

Se uma cadela demasiado jovem fica grávida, corremos o risco de que não esteja totalmente desenvolvida e comprometer o seu crescimento, já que o organismo dará prioridade à gestação em detrimento do seu próprio desenvolvimento. Tampouco é aconselhável que a cadela se reproduza na sua etapa sénior (entre os 5-6 anos segundo a raça), não só porque a sua fertilidade diminui consideravelmente, mas porque aumentam as probabilidades de que surjam complicações na gestação ou parto e de que os cachorros apresentem anomalias ao nascer.

Deves ter em conta que após o cio, se a fêmea não tiver copulado com um macho a cadela pode sofrer do que se denomina uma pseudociese, isto é que pode apresentar os sintomas externos e mudanças no comportamento que nos façam achar que está grávida, quando não o está. Será o veterinário quem determine se a nossa cadela está realmente grávida ou se é uma “falsa gravidez”, e ajudar-nos-á, neste caso, a paliar os sintomas.

Até aqui a primeira parte deste assunto sobre o processo de gestação da cadela, amanhã a nova parte com mais detalhes.

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