Exame de sangue em cães: bioquímica

Exame de sangue em cães: bioquímica

O sangue está formado por uma parte sólida, que consistem em glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas. O restante é a porção líquida, onde encontram-se os eletrólitos, proteínas, minerais, fatores da coagulação, etc.

A bioquímica é a medição de determinados minerais ou substâncias que se encontram no sangue e que nos oferecem informação sobre o estado dos diferentes órgãos.

Já analisamos em outro artigo como interpretar as variações no hemograma do cão (que analisa a porção celular do sangue). Aqui veremos as principais medições obtidas do plasma e o seu significado clínico.

Valores do exame de sangue em cães

Glicose ou glicemia

A glicose é um açúcar simples que circula no sangue quando o corpo precisa fazer chegar energia aos diferentes tecidos. Os valores normais encontram-se entre 60 e 120 mg/dl.

  • Se a glicose estiver baixa, abaixo do mínimo, o animal está hipoglicêmico, pode observar-se que está enfraquecido, com falta de coordenação ou até com convulsões. Isto é frequente nas raças toy, em cachorros pequenos ou em animais esgotados por alguma doença crônica, falta de apetite prolongada ou que foram submetidos a exercício em excesso. As patologias que se manifestam com o descenso da glicemia nos exames de sangue em cães são algumas doenças hepáticas, tumores pancreáticos e infecções.
  • Quando estiver a glucose alta pode ser devido ao stress, especialmente nos gatos. Os valores acima dos 180 mg/dl indicam quase sempre que o paciente sofre de diabetes, uma doença que impede que os tecidos possam utilizar a glicose do sangue.

Ureia ou uremia

A ureia é um composto nitrogenado produto da digestão das proteínas. É um produto resíduo que deve ser eliminado do sangue pelos rins. Quando estes órgãos não funcionam bem, não conseguem filtrar esta substância e começa a ser acumulada no sangue, por tanto o seu valor dentro do exame de sangue em cães nos indica como estão a funcionar os rins.

Qualquer obstrução no fluxo de urina faz com que a bexiga fique cheia e os rins não conseguem continuar a produzir urina, como por exemplo, no síndrome do trato urinário baixo nos gatos ou nos cálculos vesicais. Uma falta de fluxo sanguíneo nos rins também impede que se forme suficiente quantidade de urina; este seria o caso em uma desidratação severa ou um falho cardíaco. Uma infecção como a piómetra provoca acúmulo de complexos antígeno-anticorpo nos rins, que também impede a filtração normal. Nestas situações o valor de uremia retorna ao normal uma vez solucionado o problema primário. A uremia pode ser menor ao normal em animais com doenças hepáticas. Mesmo que esta seja a causa mais comum, não devemos esquecer que existem outras patologias que também podem elevar a uremia no exame de sangue em cães.

Creatinina

É uma substância de degradação que se acumula unicamente em casos de insuficiência dos rins. Mesmo que não seja tóxica para o corpo, é um parâmetro muito confiável para medir a atividade destes órgãos. O valor normal é até 1,5 mg/dl.

Cálcio

Este mineral não só é importante para a estrutura dos ossos, também é fundamental para a contração muscular e a transmissão nervosa. O seu valor mantém-se bastante estável no sangue, mas pode diminuir durante a gravidez e a amamentação em casos de eclampsia e em algumas desordens hormonais ou nutricionais. Se no exame de sangue do cão o cálcio estiver alto (hipercalcemia), pode estar provocado por diversas causas, até mesmo alguns tumores.

Proteínas plasmáticas totais

As proteínas que são medidas são as albuminas e globulinas. O seu valor normal é ao redor de 7 mg/dl; abaixo deste valor indicam quase sempre uma má nutrição, doença hepática, infecções crônicas, síndrome de má absorção ou perda de proteínas pelos rins. É muito raro que as proteínas totais estejam elevadas nos exames de sangue de um cão, mas quando este valor for alto, é devido, geralmente, à desidratação. As globulinas incluem as imunoglobulinas, por tanto podem estar elevadas na peritonite infecciosa felina.

Bilirrubina

Os glóbulos vermelhos renovam-se constantemente. Quando são destruídos, a hemoglobina liberada é captada e separada pelo fígado. Aí recupera-se o ferro e elimina-se a bilirrubina. Quando a bilirrubina está alta no sangue pode ser devido a uma insuficiência hepática, a uma obstrução no fluxo biliar ou a um aumento na destruição de glóbulos vermelhos, como na infecção por Hemobartonella nos gatos ou anemias autoimunes.

Fosfatase alcalina sérica (FAS)

Esta é uma enzima com valores normais muito variáveis por diferentes motivos em cada espécie. No exame de sangue em cães é um indicador de tumores quando estiver excessivamente elevada.

GPT ou ALT

É uma enzima que se encontra especificamente nas células do fígado. Um valor elevado indica que há uma destruição destas células, que pode ser devido a diversas doenças hepáticas: infecção, inflamação, tumores, obstruções, congestão.

Colesterol

Nos animais de estimação o colesterol não tem a mesma interpretação que nos humanos. Estas espécies não sofrem de tamponamento ou endurecimento das artérias pelo colesterol. Porém este valor é importante como indicador de outras doenças como o hipotireoidismo ou de uma má nutrição prolongada, o qual ficaria refletido no exame de sangue em cães e gatos.

Sódio e Potássio

Estes eletrólitos são os indicadores principais do equilíbrio no meio interno e não se pedem de rotina. São importantes em animais com insuficiências renais severas ou que se encontram em choque ou com uma desidratação severa e requerem fluidoterapia intensiva e prolongada.

Existem outras substâncias que podem ser medidas, como o fósforo, triglicerídeos, iodo, etc., mas estes não se encontram nos perfis de rotina e são solicitados ante uma suspeita específica do veterinário.

O perfil bioquímico do exame de sangue nos cães e gatos oferece informação bastante ajustada e específica sobre o funcionamento dos rins, o fígado, glândulas adrenais, pâncreas e sobre a presença de alguns tumores. Não oferecem por si sós um diagnóstico nem um prognóstico, mas ajudam, junto à avaliação clínica do paciente por parte do veterinário, a ter uma ideia acabada do seu estado atual. Estes valores podem ser utilizados para avaliar a resposta a um tratamento e para monitorar a evolução de uma doença ou ao longo do tempo.

Recorda que, se quiseres conhecer mais valores do exame de sangue em cães e gatos, podes ler nosso post do hemograma, no qual explicamos os glóbulos brancos e as plaquetas.

 

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