Doenças dos coelhos

Doenças dos coelhos

Conhece as diferentes doenças do coelho, como agem e a sua gravidade, além dos sintomas que devem ser considerados para diagnosticar qualquer problema de saúde.

Sintomas de um coelho doente

Caso notares algum comportamento estranho no teu coelho ou alguma mudança no seu corpo, presta atenção aos sintomas para diagnosticar possíveis problemas de saúde ou doenças. Alguns dos sintomas que podem indicar que um coelho está doente são:

  •         Come menos ou tem dificuldade para comer.
  •         Está mais magro.
  •         Tem perda de pelo ou calvícies que não estão relacionadas com a mudança de pelo.
  •         Inflamação nas mamas.
  •         Diarreia ou fezes muito moles que persistem no tempo.
  •         Roncos, espirros, tosse, mucos ou dificuldade para respirar.
  •         Olhos lacrimejantes, vermelhos ou irritados.
  •         Cabeça inclinada para um lado.

Algumas das causas pelas quais aparecem determinadas doenças dos coelhos são: má alimentação ou comida em mau estado, gaiola inadequada, feridas mal curadas, higiene incorreta, stress ou temperaturas excessivas.

Doenças dos coelhos com origem viral

  •         Mixamatose: doença grave, contagiosa e mortal que se evita mediante a vacinação anual ou a cada 6 meses. Desenvolve-se com sintomas como falta de apetite, fraqueza, inflamação no rosto e em outras partes do corpo. Não existe um tratamento, o que causa a morte em menos de um mês. A prevenção é a melhor e a única forma de proteger nosso coelho.
  •         Febre hemorrágica: vírus muito agressivo que provoca convulsões e hemorragias nasais que terminam em morte em menos de 3 dias. Alguns dos sintomas são anorexia, apatia, sinais nervosos e problemas respiratórios. Previne-se com uma agenda adequada de vacinação.
  •         Raiva: Mesmo praticamente erradicada em algumas zonas, ainda há surtos desta doença. Não tem cura e a forma de evitar o seu contágio é mediante a vacinação anual.

Doenças dos coelhos produzidas por bactérias e fungos

  •         Conjuntivite e infeção dos olhos: inflama os olhos e aparecem secreções; no estado avançado o pelo ao redor dos olhos fica colado e com remelas que impedem que possa abri-los. Também pode ser produzida irritação por outras causas como pó (inclusive o levantado às vezes pelo feno) a fumaça do tabaco. É uma das doenças dos coelhos mais fáceis de curar, mediante gotas oftalmológicas receitadas pelo veterinário. No entanto, deve ser tratada o quanto antes para que o animal não piore.
  •         Otite e outras doenças do ouvido: Costuma ser identificada pela cabeça inclinada e pela perda do equilíbrio. Afeta primeiro o ouvido médio e logo o interno com inflamação, coceira e dor. Deve ser detectada a tempo para tratá-la com antibiótico e anti-inflamatório.
  •         Pasteurelose: Costuma ser produzida devido ao ambiente, ao clima, ao pó que solta o alimento seco e ao stress acumulado. Ataca normalmente com espirros, roncos e secreções nasais. Se a doença não estiver muito avançada, existe um bom prognóstico com o tratamento via antibióticos.
  •         Pneumonia: Semelhante à pasteurelose quanto aos sintomas (espirros, roncos, tosse, mucosidade), mas muito mais perigosa e complicada, já que chega até os pulmões e dificulta a respiração. O seu tratamento também é com antibióticos.
  •         Abscessos na pele: Protuberâncias cheias de pus provocadas por bactérias. Requer tratamento e curas diárias para eliminar a infeção e os abscessos.
  •         Tarsos ulcerados: Feridas nas patas que se infetam e produzem pododermatite. As feridas costumam aparecer e se infetarem quando o chão da gaiola não é adequado e o ambiente é húmido.
  •         Tularemia: É uma das doenças dos coelhos classificada como muito grave, pois não apresenta sintomas e somente pode ser detectada mediante exames de laboratório. O animal deixa de comer e, caso não for detectada a tempo, pela falta de alimentação pode morrer em 3-4 dias. A Tularemia está relacionada com as pulgas e os ácaros.
  •         Coccideose: Os coccídeos são microrganismos que atacam o estômago do coelho quando tem as defesas baixas ou um alto nível de stress. Alguns dos sintomas são a perda de pelo e gases e diarreias contínuas e em excesso; o animal deixa de comer e de beber e morre. É uma das doenças de coelhos que mais mortalidade produz.
  •         Mastite: Infeção nas mamas que produz febre e inchaço. Trata-se com antibióticos.
  •         Micose: Afeta a pele e é muito contagiosa devido à grande velocidade com a qual se reproduz. Avança com a perda de pelo e crostas na pele, principalmente na zona do rosto. Se conviver com mais animais, é muito importante isolar o coelho infetado, além de desinfetar nossas mãos quando estivermos com ele.

Doenças dos coelhos produzidas por parasitas

As doenças parasitárias dos coelhos podem ser internas ou externas.

  •         Sarna: Doença produzida por ácaros de origem parasitária externa. É muito contagiosa entre coelhos e produz coceira, feridas e crostas. É fácil de prevenir e de tratar com ivermectina.
  •         Pulgas e piolhos: Muito comuns nos coelhos que convivem com cães ou que saem ao exterior. O animal coça-se de forma excessiva. Devemos ter cuidado e preveni-los com desparasitações frequentes, pois, apesar de não ser uma doença complicada, os parasitas podem transmitir doenças perigosas como a mixomatose e a tularemia.
  •         Diarreia: Costuma ser causada pela alimentação inadequada. Mudanças bruscas na dieta e não lavar a comida fresca antes de servi-la são as causas mais comuns. O aparelho digestivo dos coelhos é muito sensível a mudanças, por isso sempre devemos fazê-las de forma gradual. O maior problema das diarreias é que o coelho se sente fraco, perde o apetite e desidrata-se muito rapidamente.
  •         Infeção por coliformes: Esta infeção também produz fortes diarreias que, se não forem freadas, podem causar a morte por desidratação severa. Deves ir ao veterinário para que administre um tratamento injetável ao teu coelho.

Problemas de saúde frequentes nos coelhos

Apesar de não serem classificados propriamente dentro das doenças dos coelhos, os problemas de saúde são muito comuns na espécie e devemos prestar atenção neles:

  •         Supercrescimento dentário ou malformações: Os dentes incisivos superiores ou inferiores crescem de maneira exagerada e chegam a mover a mandíbula para trás. Os coelhos não podem alimentar-se bem e, se não fizemos nada, podem chegar a morrer por inanição. É possível evitar este problema no veterinário de forma regular ao recortar ou lixar os dentes. Além disso, se oferecermos alimentos ou madeiras para roer, os dentes também são gastos de maneira natural enquanto os coelhos se divertem.
  •         Golpe de calor: Os coelhos aguentam melhor o frio do que o calor. Quando são expostos a temperaturas superiores a 30°C, têm escassez de água e não dispõem de um lugar fresco onde refugiar-se, é muito fácil que sofram com um golpe de calor que inclusive pode ocasionar a morte. Deves resguardar o teu coelho do calor excessivo e assegurar-te de que disponha sempre de água fresca. Presta especial atenção no verão quando ficam ofegantes e se deitam com as quatro patas esticadas em busca do frescor do chão. Se detectares isto, leva-o a um local mais ventilado e molha a sua cabeça e as axilas para que recupere gradualmente a sua temperatura corporal.
  •         Catarro: Os resfriados são umas das doenças dos coelhos mais comuns quando há muita humidade ou correntes de ar diretas. É muito frequente que aconteça quando têm as defesas baixas e ataca com espirros, olhos lacrimejantes e secreções nasais.
  •         Alopecia: Um déficit de alimentos, vitaminas e nutrientes costumar ser a causa da queda de pelo nos coelhos, além do stress. Consulte com o veterinário a dieta do coelho e os possíveis suplementos.
  •         Urina de cor avermelhada: Devido também a um desequilíbrio ou a um déficit na dieta. É possível que haja um excesso de algum alimento ou falta de legumes, fibras ou vitaminas. Não deves confundir a urina avermelhada com a urina com sangue, a qual indica um grave problema de saúde.
  •         Bolas de pelo no estômago: Este problema pode estar relacionado com o anterior. Os coelhos limpam-se a lamber o pelo e o ingerem. Isto pode causar uma obstrução, pois as bolas de pelo não são digeridas. Uma dieta rica em fibra e com muito feno, além de escová-los frequentemente para retirar o pelo solto, é a solução.
  •         Feridas ou zonas inflamadas: Devemos ficar atentos e conferir que não tenham feridas para evitar que se infetem e que se tornem perigosas para a saúde.
  •         Pálpebras dobradas para dentro: Conhecida como entrópio das pálpebras, produz irritação e supuração no ducto lacrimal. Se não é tratada pode chegar a infetar-se e a ocasionar cegueira.
  •         Obesidade: A obesidade é uma das doenças dos coelhos mais frequentes devido à quantidade de comida que ingerem e à falta de exercício diário. Proporciona ao teu coelho uma dieta adequada e de qualidade e deixa que saia da sua gaiola alguns momentos todos os dias para que possa brincar, correr e pular, atividades saudáveis.
  •         Stress: A solidão, a falta de atividade e a falta de contato com o seu humano ou com outros animais podem provocar mal-estar e stress no animal. Outras causas podem ser as mudanças de lar, do entorno e a falta de espaço na gaiola. Procura dedicar um tempo e entretenimento ao teu coelho para evitar o problema, além de comprar uma gaiola adequada ao seu tamanho, onde possa movimentar-se com total liberdade.
  •         Câncer: A melhor forma de evitar este problema de saúde é a esterilização. O câncer é uma das doenças dos coelhos com maior probabilidade de aparecer, principalmente nas fêmeas. As coelhas não operadas têm 85% de possibilidade de sofrer com câncer de útero e de ovários, risco que aumenta até 96% a partir dos 5 anos. Além de evitar esta perigosa doença, vais melhorar a sua qualidade de vida, evitar gravidez e reduzir comportamentos destrutivos e marcação.

Cuida do teu coelho e observa a cada dia o seu comportamento e os sintomas para diagnosticar o quanto antes qualquer doença e poder agir a tempo.

Miriam Zazo

Veterinária Tiendanimal

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